sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A ACADEMIA SÉNIOR DE TÁBUA PROMOVEU, NO DIA 23 DE NOVEMBRO DE 2017, UMA VISITA DE ESTUDO AO VALE DO VAROSA.

INICIAMOS, PELA MANHÃ, A VISITA AO MUSEU DE LAMEGO, SEGUINDO-SE-LHE A VISITA AO CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DE FERREIRIM, A VISITA À PONTE FORTIFICADA DE UCANHA.
O DELICIOSO REPASTO REALIZOU-SE NO RESTAURANTE "TASQUINHA DO MATIAS", ONDE PUDEMOS PARTILHAR DE EXCELENTES IGUARIAS DA REGIÃO.
DA PARTE DA TARDE VISITAMOS OS MOSTEIROS DE SANTA MARIA DE SALZEDAS E DE SÃO JOÃO DE TAROUCA.

DESDE SEMPRE INTEGRADO NO ROTEIRO DE VISITA AO DOURO, O VALE DO VAROSA APRESENTE MOTIVOS RENOVADOS DE VISITA, APOSTANDO NO FUNCIONAMENTO EM REDE E NUMA ARTICULAÇÃO EFETIVA ENTRE OS DIFERENTES IMÓVEIS, NUM PROJETO QUE DESDE O SEU INÍCIO APOSTA NA VALORIZAÇÃO DO CONJUNTO E DO TERRITÓRIO HISTÓRICO EM QUE SE INSERE.

MUSEU DE LAMEGO:

CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO DE FERREIRIM:

As importantes tábuas quinhentistas que conserva no seu interior fazem do Convento de Santo Antó-nio de Ferreirim uma referência no panorama da pintura portu­guesa do Renascimento. Cristóvão de Figueiredo, Garcia Fernandes e Gregório Lopes, a cuja par­ceria, só mais tarde desvendada, foi atri-buído o epíteto de "Mestres de Ferreirirn", assumem o papel de ex-libris, num conjunto onde o edi-ficado se terá organizado em torno de uma anterior tor­re, provavelmente do séc. XIV.
A manutenção desta torre, último reduto do po­der senhorial, foi mesmo condição imposta à comuni-dade masculina franciscana, a quem O. Francisco Coutinho, Conde de Marialva, e esposa, O. Brites de Meneses, doaram, em 1525, os ter­renos circundantes. Assim nascia o Convento de Santo António de Ferreirim, de traça manuelina, da qual sobrevive o pórtico da igreja.
Extinto em 1834, na sequência da extinção das Ordens Religiosas em Portugal, a igreja foi con­vertida em igreja paroquial e as dependências monásticas vendidas em hasta pública e parcial­mente desman-teladas ou caídas em ruína. Clas­sificado como Imóvel de Interesse Público, faz hoje parte do circuito de visita ao Douro e Varosa.


























PONTE FORTIFICADA DE UCANHA:

Por iniciativa do abade do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, D. Fernando, em 1465 era construída a torre que hoje se encontra adossada à mais conhecida passa­gem do rio Varosa. 

A Ponte de Ucanha, já erigida durante os séculos XIV-XV, marca a entrada no couto monástico e a separação entre os poderes monástico e episcopal. 

A Torre de Ucanha assume-se assim como a afirmação máxima do poder de Cister na região, que exigia aos viandantes o pagamento da por­tagem naquela que era a mais importante via de acesso à cidade de Lamego e que daqui se di­rigia para o interior, passando por Moimenta da Beira e Trancoso, podendo-se ainda hoje obser­var alguns troços de calçada bem conservados. 

Para estes viandantes, o abade de Salzedas ordenou ainda a construção, em 1472, de um hospital nas proximidades da ponte, possivel­mente no local onde hoje se mantém uma porta de cariz manuelino.

Monumento Nacional, deste conjunto de exce­cional beleza é ainda possível observar os moi­nhos de rodízio que se estendem pelas margens do rio, marca incontornável do Varosa.

















MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SALZEDAS:

Vasco Fernandes (Grão Vasco), Bento Coelho da Silveira e Pascoal Parente são alguns dos nomes maiores da pintura em Por­tugal que deixaram a sua marca no Mosteiro de Santa Maria de Salzedas.

Mosteiro masculino da Ordem de Cister, a sua construção iniciou-se em 1168 por determina­ção pessoal de Teresa Afonso, segunda esposa de Egas Moniz. Largamente ampliado no século XVII e XVIII, destacando-se um novo e monu­mental claustro com traço do arquiteto maltês Carlos Gimach, viria a conhecer em 1834, ano que decretou a extinção das Ordens Religiosas, a sucessiva decadência, com a igreja convertida em igreja paroquial e parte das dependências monásticas vendidas em hasta pública. 

Monumento Nacional, o Mosteiro de Santa Ma­ria de Salzedas, apesar de largamente desman­telado, mantém ainda parte do edificado, que possibilita uma viagem no tempo, percorrendo as memórias que outrora fizeram deste espaço um lugar sagrado, mas também de conheci­mento, com os cistercienses a construírem um Douro, hoje Património da Humanidade.

Neste ponto de encontro, uma cela de noviço, a única sobrevivente, emerge no corredor da noviciaria, hoje espaço expositivo, guardião dos fragmentos artísticos do Mosteiro.





















MOSTEIRO DE SÃO JOÃO DE TAROUCA:

A descoberta de um anel de oração, úni­co no mundo, é apenas um dos fatores que tornam o Mosteiro de São João de Tarouca ímpar no panorama nacional e inter­nacional. 

Primeira construção cisterciense em território português, iniciada em 1154, a sua fundação em 1140 surge intimamente ligada à nacionalidade e à figura de D. Afonso Henriques, constituindo ainda na atualidade um dos melho­res exemplos do ideal de construção da Ordem de Cister em Portugal. 

Cerca de setecentos anos volvidos, e depois de largamente ampliado nos séculos XVII e XVIII, de onde se destaca um novo e colossal dormitó­rio de dois pisos, o Mosteiro masculino de São João de Tarouca viria após a sua extinção a ser progressivamente desmantelado e usado como pedreira até ao início do século XX. A extinção das Ordens Religiosas, em 1834, assim o ditou, e a um espaço de oração e conhecimento su­cederam as ruínas, sendo a igreja do mosteiro convertida em igreja paroquial.Sujeito a extensos trabalhos de escavação ar­queológica entre 1998 e 2007, com a igreja e as ruínas da dependências monásticas progressi­vamente musealizadas entre 2012 e 2015, este Monumento Nacional é hoje uma das principais referências da região.



ALMOÇO NO RESTAURANTE "TASQUINHA DO MATIAS"